Lavo os pratos, amor!

A escalada da violência doméstica, mais especificamente, o crime de feminicídio no Brasil, tem sido associada como um efeito colateral, indesejável, do confinamento, em que os casais foram submetidos, durante a pandemia. A arte da convivência harmoniosa e colaborativa pode ser um bom teste da qualidade do amor, mesmo quando estamos em circunstâncias inesperadas, de cumprir recomendações de reclusão social, adiando viagens, sacrificando o convívio familiar, e, protelando planos e projetos.

Aprecio escrever a partir das experiências vividas. Na adolescência, lembro de uma tia que relacionava-se com um senhor que era vendedor de carros seminovos. Lembro também que quando íamos visitá-la, por vezes, ela apresentava algumas escoriações e hematomas no rosto. A tia, constrangida, dizia que seu companheiro batia nela, tentando suavizar, que era violento só quando estava embriagado, ou seja, ele era um alcoólatra. Graças às conversar que minha mãe manteve com ela, e, as orações da família, ela saiu deste relacionamento tóxico, e, nunca mais precisou passar por esse tipo de humilhação.

Naquela época, ainda não havia a lei Maria da Penha. É a Lei nº 11.340, a qual foi aprovada no Brasil, em 2006, para garantir os direitos e proteger as mulheres vítima de violência doméstica, assegurando-lhe juizados especiais, estabelecendo medidas protetivas a sua integridade, física e mental, das mulheres vítimas de agressão no âmbito do lar. Esse tipo de violência não se reduz a violência física, abrange a violência psicológica, moral, patrimonial e sexual. Essa lei representou um grande avanço social, mas, o desafio de erradicar todo tipo de violência doméstica, ainda persiste, e, a consciência social tem se expressado em total repúdio à insanidade da violência contra quem confiou sua felicidade e realização, com o desejo de ser conquistada a quatro mãos!

No Sermão do Monte, nosso grande Professor e único Mestre, Jesus, sugere:

Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses;
Lucas 6: 29 (João Ferreira de Almeida Corrigida Fiel)

No aspecto literal, o versículo acima parece ser difícil de compreender e aplicar. Graças ao que a Ciência Cristã tem me ensinado, sobre a interpretação espiritual e revelada da palavra inspirada da Bíblia, e, pelo fato de durante alguns anos, ter lido o Sermão do Monte, todos os domingos (Vide Mateus, capítulos 5,6,7), compreendi que “dar a outra face” significa mudar o modo como se vê o agressor.

Mudar nossa perspectiva sobre o outro, essa disposição mental, tem a autoridade de Cristo, que expulsa os males, cura, liberta, salva, acalma tempestades, repreende o tufão, e, foi capaz de salvar Jesus da agressividade de uma multidão raivosa, bem como, o fez triunfar dos seus algozes ao vencer a morte na crucificação, ressuscitando, e, logo em seguida, ascendendo de volta ao Pai!

Ao invés de ver o agressor como alguém incorrigível, ignorante, animalesco, ou, vítima dos efeito de drogas, álcool, ou más influências, dominado pelo sentimentos tóxicos, do tipo: egoísmo, ciúmes, grosserias, amor possessivo, etc, podemos vê-lo pelo olhar do Espírito — ou seja, como o Princípio criador criou cada uma de suas amadas ideias espirituais — como alguém que é governado por uma única Mente, um único Ego, portanto, livre de defeito moral, ou dos efeitos do ódio, raiva e descontrole emocional!

Em meio ao surto psicótico de uma briga, ou perante uma agressão, diante de sentimentos impulsivos e descontrolados, quando o amor humano parece ter se transformado em ódio, e, por vezes, resulta em atitudes extremadas e inexplicáveis, como conseguir sair ileso? É oportuno lembrar, como nosso Exemplo maior, Cristo Jesus, livrou-se de uma multidão enfurecida que lhe retirou do templo a força, e, o carregou para o beiral de um precipício: “… passando por entre eles, retirou-se.” (Vide Lucas 4: 14-30) Quem lhe garantiu segurança, proteção e integridade, foi a presença e totalidade divina, o Tudo-em-tudo que é Deus, o Espírito, que está constantemente conosco, enquanto reflexos e imagem fiel do Deus fiel, que cada um de nós é!

Outro ponto, ao nível de procedimento diante de um evento de violência, que é sugerido pelas autoridade de segurança, é não reagir! Interessante que essa dica, pode ser correlacionada, à recomendação cristã de Jesus, supracitada, de “dar a outra face”!

Entretanto, podemos agir, mental e espiritualmente, pela via da oração constante, ou seja, reconhecermos que um cônjuge imoral, agressivo, ciumento e possessivo, ignorante, não é a realidade acerca de um filho perfeito e amado de Deus. Em circunstância humanas, em que seja possível encontrar, no outro, a receptividade e a disposição necessárias para expulsar seus demônios — isto é, seus pensamentos pecaminosos que resultam na covardia do uso da violência — a mudança do modo como vemos o outro, resulta em cura e salvação.

O importante é a consciência de que você não está sozinha nesta luta. De que a mazela da violência doméstica, está cercada, pelo poder corretivo do Amor divino, que está sempre presente, corrigindo e governando tudo e todos. Sob o título marginal: “A armadura da natureza divina” a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy escreve, em sua principal obra: CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, p. 571: 17

A todo momento e em todas as circunstâncias, vence tu o mal com o bem. Conhece-te a ti mesmo, e Deus te dará a sabedoria e a ocasião para teres a vitória sobre o mal. Revestido com a armadura do Amor, tu não podes ser atingido pelo ódio humano. O cimento de uma humanidade mais elevada unirá todos os interesses na natureza divina, que é una e única.

É normal a um cônjuge amar o outro, na medida que espiritualizamos esse amor, elevando-o acima da mera atração física, o relacionamento e a convivência pode melhorar a e evoluir, a cada dia!

Em termos de prática cotidiana, é parte da normalidade de um casal, que o amor seja demonstrado em atitudes proativas, colaborativas, que podem, por exemplo, suavizar as tarefas caseiras, que em geral, o machismo tosco, atribui só as mulheres. Uma atitude simples e rotineira como: “Amor deixa a louça comigo!”, hoje em dia, num mundo ainda contaminado pelo machismo, soa como uma criativa declaração de amor. Revezar quem costuma prepara as refeições, ou, quem realiza a faxina, pode realizar o milagre de uma convivência harmoniosa, colaborativa e desdobrar-se em felicidade, espiritual e perene.

Especialistas são unânimes em argumentar que a mentalidade de dizer: “Eu dou uma força nos trabalhos domésticos!”; não é a melhor atitude, nem condiz com o respeito aos direitos iguais das mulheres. Até porque, as tarefas domésticas são comum aos que habitam num mesmo espaço de amor, colaborativo: o lar!

Nunca se deveria contrair matrimônio sem o pleno reconhecimento das obrigações permanentes que cabem a ambas as partes. Cada um dos cônjuges deveria ter a mais terna solicitude pela felicidade do outro, e a atenção e a aprovação mútuas deveriam se estender por todos os anos da vida conjugal. Ciência e Saúde p. 59: 1

Leia também o artigo autoral: Como superei o machismo

Crédito imagem: Depositphotos

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Atualizado em 18 de agosto, 20:00h

Publicado por Jackson Guterres

Sou um Cientista Cristão brasileiro atuando como Praticista da Ciência Cristã na cidade de Salvador, capital da Bahia, no Brasil.

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