Existe no mundo miríades de diferentes “ismos”, a maioria deles tende a inclinar-se à polarização e exclusão do pensar diferente, o que podemos chamar de falta de alteridade – respeito pelo outro. Em geral são correntes ou sistemas de pensamentos, que têm um tom de conquistar seguidores, e, muitas vezes aprisionam o pensar num só modo de pensar sem nenhuma possibilidade a relações dialógicas com outros pontos de vista e diferentes visões de mundo.
Posso me considerar não “adepto” ao racismo — um dos “ismos” mais brutais, injustos e desumanos — entretanto, indo além do contexto relacionado a cor da pele, se eu tenho o hábito de criticar, julgar os outros, gostar de falar mal, mais conhecido como fofocar, se tomo partido em rotular e aceitar rótulos impostos pela sociedade do tipo: “por aquela rua eu não irei. pois. passa por uma favela perigosa“, enfim, cada vez que aceito um rótulo, um estigma social, um pensamento preconceituoso, estarei entrando no campo da antipatia gratuita — o que é contrário a empatia e ao amor fraternal. O racismo vai além do conceito ensinado nas escolas, pois diz respeito ao que os especialistas estão chamando de racismo estrutural na sociedade.
Na adolescência, conheci um pouco sobre a história de vida de uma jovem idealista americana, que foi uma mulher bem à frente do seu tempo, ela escrevia para jornais locais, e, empreendeu durante boa parte de sua vida, uma pesquisa independente sobre todos os sistemas de cura de sua época, que eram bem aceitos pela opinião pública da sociedade. Ela sempre foi uma dedicada estudante das Sagradas Escrituras, e, em sua juventude, como membro da igreja congregacional americana, ela foi arguida sobre a doutrina da predestinação, pelo Clérigo responsável por sua iniciação no sacramento da confirmação. Entretanto, essa jovem, Mary Baker, não pode deixar de transparecer que ela não podia concordar com uma tradição, no qual ela poderia ser salva e seu irmão, que não havia passado pelo mesmo ritual, poderia não ter esse mesmo direito divino. Isso causou uma certa estranheza na congregação, mas todos, especialmente seus pais e o próprio Clérigo, já conheciam bem o livre pensamento desta ilustre e frágil jovem pensadora, e, ela foi aceita, mesmo não concordando pontualmente com este ponto doutrinário.

O racismo no Brasil tem sido um tema recorrente. Já avançamos em lei bem específicas. Entretanto, a violência policial, ainda tem sido um problema grave, recentemente um menino de quatorze anos, teve sua despontante vida encerrada, numa operação policial desastrosa, na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Sua cor era parda, ou, negra, morador da favela, João Pedro, era um menino estudiosos, feliz, inocente, que estava só brincando no pátio de casa com seus amiguinhos. A morte brutal do segurança americano George Floyd foi o estopim de protestos sociais, espontâneos, que se estenderam por dias, nos Estados Unidos, exigindo o fim do racismo e justiça imparcial, impulsionando o movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam) que repercutiu em vários países, inclusive no Brasil.

Um outro caso emblemático foi a violenta morte da ilustre Vereadora carioca, Marielle Franco. As investigações levaram para a prisão os culpados, mas a família e a esfera pública, enfim toda a sociedade, ainda espera pela resposta: Quem mandou matar Marielle? Pergunta que tem sido ecoada na memória jornalística global, como a jornalista brasileira, Eliane Brum, colunista do Jornal El País, em seu Twitter, que reiteradamente twita a pergunta supra citada. Enquanto não se descobre o mandante, humanamente, podemos elencar os assassinos mentais, tais como: o cancelamento, a gordofobia, misoginia, o feminicídio, a inveja, a xenofobia, o racismo e a intolerância de qualquer tipo. Todas essas mazelas sociais, são inimigos comuns, da humanidade e do amor ao próximo, além de serem más práticas mentais que levam quem as pratica à ruína moral, mental e física.

Na juventude curtia ser apolítico, mas nem por isso deixei de pensar em política e apoia-la em minhas orações pela coletividade. Tanto que durante anos colaborei como Mesário nas eleições brasileiras. Entretanto, das miríades de “ismos”, eu optei por ficar só com o Cristianismo, mesmo fazendo algumas incursões pela esquerda e sendo um sindicalista ativo durante minha vida funcional como servidor do judiciário federal. hoje aposentado. Encontrei no estudo e prática do Cristianismo, uma unidade espiritual e uma consciência de inclusão e direito igualitários, que não consegui vislumbrar em nenhum outro sistema humano. E tenho colido bons frutos desta escolha sagrada, prática para uso no meu dia a dia. Qualquer sistema de pensamento ou “ismo”, tem sua cartilha, manual ou estatuto e um séquito de seguidores. O Cristianismo me abastece com os Mandamentos, o Sermão do Monte e uma biblioteca milenar, com vários livros que me ensinam a ser um livre pensador, essa biblioteca, aberta a todos os pensadores, é a BÍBLIA SAGRADA.
Na infância participava de uma patota da rua Manuel Bandeira, no bairro Jardim Sabará. O amigo Sérgio, que era o melhor de todos os jogadores de futebol, que jogávamos no campinho da rua, todas as tardes, depois da escola, infalivelmente. Claro que, possa ter vindo ao pensamento a inveja por que ele conseguia driblar tão bem e seus chutes quase sempre resultavam em gols. Entretanto, o convívio com ele, e meus estudos na biblioteca do Cristianismo, me fazia agradecer a Deus por vê-lo jogar tão bem, e que um dia, se precisasse, teria também oportunidade de demonstrar qualidades tão divinas e perfeitas deste ilustre amigo que além de negro era um jogador de futebol talentoso. Certa vez, jogando com meu primo Laércio, numa inusitada partida de futebol, numa quadra, eu e ele contra outra dupla, joguei tão bem e tão próximo da perfeição, que me imaginei tão bom quanto o Sérgio era. Ganhamos de goleada! A inveja, que é um senso pecaminoso de pensar e agir, talvez seja uma das células que alimentam o ódio racista. Mas ela é só uma, existe tantas outras que a humanidade pode superar num esforço colaborativo, dentre outras: o trabalho análogo à escravidão, a exploração do trabalho infantil, o preconceito, o ódio, meritocracia, o desamor e falta de humanidade, as influências nocivas de piadas racista e uma total ignorância quanto a história de vida dos negros, suas lutas e sofrimento terrível durante e depois da escravidão.
Foi um outro livro, escrito por Mary Baker Eddy, aquela jovem que não se curvou a uma questão doutrinária, que ela pensava ser injusta, intitulado: Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, que me ajuda a compreender melhor a Bíblia, do sentido literal para o senso espiritual e prático do texto bíblico. Também aprendo uma Ciência do Cristianismo que tem como regra áurea, “fazer aos outros o que desejamos que nos façam“, regra dada por nosso grande Professor, Cristo Jesus. Neste livro tenho aprendido a orar para melhorar a mim mesmo, e, a citação abaixo é onde procuro me apoiar para orar melhor para superar o racismo e outra tanta mazelas e injustiças sociais, em meu coração, mente e atitudes, são pequenos começam que me trazem a expectativa de que cada um colaborando, vamos vendo o mundo também melhorando!
“O Primeiro Mandamento é meu texto favorito. Ele demonstra a Ciência Cristã. … O Princípio divino do Primeiro Mandamento é a base da Ciência do existir, pela qual o homem demonstra a saúde, a santidade e a vida eterna. Um só Deus infinito, o bem, unifica homens e nações; estabelece a fraternidade dos homens; põe fim às guerras; cumpre o preceito das Escrituras: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”; aniquila a idolatria pagã e a cristã — tudo o que está errado nos códigos sociais, civis, criminais, políticos e religiosos; estabelece a igualdade dos sexos; anula a maldição sobre o homem, e não deixa nada que possa pecar, sofrer, ser punido ou destruído.”
Revisão 12 dezembro 2021
